Pesquisadoras do Nupem relatam experiências de vida na Semana das Mulheres e Meninas na Ciência

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O Nupem aproveita a data alusiva ao ingresso feminino nos laboratórios e campos de pesquisa para dar voz a algumas de suas pesquisadoras. Os relatos a seguir mostram as alegrias e dificuldades de ingresso neste universo, até agora, tão masculino.

“Quando, na adolescência, imaginava um cientista, ele claramente era homem, seja com os cabelos para o alto ou segurando um béquer. Estar inserida num ambiente onde o protagonismo feminino, por muitas vezes, foi negligenciado é de um valor imenso. A pesquisa científica me proporcionou olhar o mundo com os olhos de curiosidade, incrivelmente parecidos com os de meu filho. As habilidades que adquiri ao ser mãe, como a flexibilidade, a tomada rápida de decisões e organização foram cruciais para que minha pesquisa se tornasse muito mais produtiva. É inegável que ser pesquisadora vai muito além de fazer ciência, e é incrível saber que estamos construindo um presente e um futuro melhor para as pessoas através da pesquisa, buscando uma melhora em nosso cotidiano. Espero que venham cada vez mais pesquisadoras para enriquecer ainda mais o diálogo científico na comunidade acadêmica”. (Texto de Caroline Reis Santiago Paschoal)

Caroline – doutoranda – e Joaquim Fernando S. Paschoal

“Ser mãe, por si só, já é uma tarefa complexa, enlouquecedora e emocionante. Agora, juntar a isso todas as atividades diárias de uma cientista, estudante e caçadora de descobertas é, realmente, algo extraordinário e habilidoso.  È o dormir pensando no próximo experimento que pode ou não responder aquela perguntinha científica que há meses vem te atormentando. È saber que você precisa se programar muito para finalizar seu trabalho em tempo hábil para conseguir buscar o filho na escola sem se atrasar.  É entender que, muitas vezes, os seus momentos de lazer precisam ser revezados em dar atenção ao pequeno e ler vários artigos científicos. É compreender que seu filho pode ficar doente e não ir à escola mas o seu experimento, às vezes, não pode esperar para ser realizado. É respirar fundo, começar do zero e repetir, repetir até conseguir o resultado esperado. É saber que estudar é pra sempre em um processo contínuo, assim como ensinar todas as descobertas que seu filho irá aprender durante seu desenvolvimento. É estar preparada para momentos adversos que vão, naturalmente, fugir do seu controle e lhe trazer tristeza, mas que seu filho não saberá disso pois, para ele, estará sempre sorrindo”. (Texto de Juliana Silva, técnica de laboratório)

Juliana – técnica de laboratório – e Luiz Felipe do N. A. da Silva

“Desde a graduação, principalmente em cursos da área de saúde, as mulheres representam a maioria e o perfil se mantem na pós-graduação. No entanto, quando se olha o quadro docente, é o inverso deste perfil. E assim, neste ambiente acadêmico masculino, os obstáculos se tornam maiores e mais significativos para as mulheres, em especial as mulheres negras e mães. Na minha opinião, umas das maiores dificuldades é sermos ouvidas e respeitadas em nossas opiniões. A maternidade se torna algo punitivo, com consequências diretas nos nossos currículos e em nossas carreiras acadêmicas. Apesar de tudo, nós, mulheres cientistas persistimos e avançamos cada vez mais. Exemplos não nos faltam. Tivemos a primeira reitora, a profª Denise, em 100 anos de história da UFRJ. Temos uma diretora em nosso Instituto, a profª Cíntia. Tivemos uma cientista negra, Jaqueline Góis, responsável por um dos primeiros sequenciamentos do genoma do corona vírus. Ser cientista, negra, mãe é ter consciência que existirão muitas barreiras ao longo da carreira acadêmica, mas é a certeza que nenhuma delas é intransponível e que possamos sempre lembrar e comemorarmos com orgulho o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência”. (Texto: Profª Elane Ribeiro)

Professora Elaine Ribeiro e filhos

“Fui a primeira na família a conquistar o diploma universitário e, até onde eu saiba, a primeira Bióloga de Três Coroas, minha cidade natal, no interior gaúcho!

Na década de 1970, a menina franzina e muito curiosa já era uma ávida leitora. Especialmente nas longas férias de verão, o acervo bibliográfico da Professora Dolores Dreher me levava para longe e provocava a inquietude que ainda me é característica. Desde muito jovem, os livros me fizeram entender que eu poderia correr atrás do sonho de ser cientista, por mais que naquela época a referência mais próxima a mim fosse o pluricientista Carl Sagan, que protagonizava a série Cosmos na tevê preto e branco, nas noites de sexta-feira.  

No Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência eu comemoro o fato de ter tido uma professora atenta e interessada em me apresentar o mundo pelas páginas dos livros e de ter sido fisgada pela divulgação científica da mídia. Ao me tornar uma cientista que desvenda aspectos do mundo natural eu passei a contribuir na formação de jovens cientistas e isto me deixa plenamente realizada”. (Texto Profª Ana Petry)

Profª Ana Petry em seu primeiro estágio na graduação, no Parque Zoológico de Sapucaia do Sul, em 1991