Estudo de aluna do PPG-CIAC aponta caminhos para a gestão dos recursos hídricos em bacias hidrográficas montanhosas da Mata Atlântica: estudo de caso do Rio Sana (Macaé, RJ)

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Acaba de ser publicado no periódico científico Catena (vol. 213, 106137) o artigo resultante da dissertação de Mestrado da aluna do PPG-CiAC Stephanie Magalhães.

Stephanie foi orientada pelo Professor Mauricio Mussi Molisani, com participação do Professor Carlos Barboza. Em seu Mestrado, Stephanie estudou a bacia hidrográfica do Rio Sana, que está situada na região serrana do município de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, um exemplo de bacia hidrográfica montanhosa do bioma Mata Atlântica, ainda bem preservada.

Em estudo que envolveu trabalho de campo mensal, análises laboratoriais e geoprocessamento, Stephane levantou e correlacionou dados sobre (1) a qualidade das águas, (2) o transporte fluvial de água, sedimentos em suspensão e nutrientes como carbono, nitrogênio e fósforo, (3) as características geomorfológicas, climáticas e de uso e ocupação da terra nas principais sub-bacias que drenam para o Rio Sana.

Os resultados trazem informações importantes para a gestão da bacia:

– A maioria das sub-bacias possui uma cobertura de florestal que varia entre 67 e 87% e uma água de boa qualidade (Classe 1 CONAMA/357).

– Por outro lado, sub-bacias mesmo com reduzidas taxas de urbanização (2,3 a 4,1%) apresentam piora na qualidade de suas águas. Este é o caso dos córregos Gloria e Santana, que por estarem localizados nas imediações do Arraial do Sana, possivelmente recebem esgoto não tratado.

– O registro de maiores fluxos e concentrações de nitrogênio e fósforo em bacias florestadas revela que a presença da Mata Atlântica não é garantia de transporte fluvial natural. Na porção da foz dessas sub-bacias, a mata ciliar é reduzida, o que deve favorecer o transporte lateral de solos e efluentes humanos para os rios.

– A morfologia íngreme das sub-bacias do Rio Sana, associada às áreas de pastagem e agricultura tem acarretado no aumento do transporte de sedimentos pelos rios mais afetados por estas categorias de uso da terra. Assim, as tendências são de aumento no processo de assoreamento da bacia do Rio Sana.

Os resultados do artigo estão sendo amplamente divulgados na região Norte Fluminense por meio das atividades de extensão universitária do Laboratório Integrado de Ecologia Aquática do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade e passam a subsidiar a gestão dos recursos hídricos da Área de Proteção Ambiental do Sana (APA do Sana).

Para os autores do estudo e desta matéria, este é mais um exemplo de como o conhecimento científico é capaz de potencializar e desenvolvimento regional em prol da segurança hídrica.